para além da parede - desenho

Nas nossas frenéticas existências, amiúde displicentes, quando percorremos uma qualquer cidade, fazemo-lo instruídos por um objectivo claro. Poucas são as vezes em que nos deixamos guiar numa espécie de deriva sensorial, despojados de um sentido concreto, de uma meta que não a do espaço que nos envolve e no qual nos encontramos imersos.
O interesse pela representação do espaço urbano intersticial resulta deste fascínio, por algo cujo entendimento enquanto transeuntes se encontra tácito, está para lá dos alçados que se dobram sobre as ruas e nos manietam os actos, encontra-se vedado e mesmo quando encontramos um modo de o percorrer, é dificilmente apreendido.
Poder-se-á definir o interstício urbano como um intervalo entre construções, um espaço urbano sobrante, de geometria atípica e de difícil nomeação. Quase sempre como uma espécie de artéria pontuada por improváveis alargamentos, que parecem munir órgãos já sem vida. Estes lugares advêm sobretudo da falta de planificação e dos lapsos temporais, provenientes de diferentes sinergias urbanas e ordens de crescimento.
Do um ponto de entrada num interstício, não nos é possível visualizar um ponto de saída, a sua configuração e geometria, tornam-nos lugares muitas vezes inacessíveis, quase sempre marginais.
O objectivo destes trabalhos é denunciar estes espaços, torná-los entendíveis através das ferramentas do desenho.
O desenho mune-se enquanto acto de representação, de atributos do espaço intersticial e procura reciprocidades na forma de o comunicar: Ora evidenciando a colisão entre diferentes ordens e as distintas formas de violência que se lhe encontram implícitas, ora deixando em reserva, retendo no desenho características exemplificativas da existência do espaço urbano intersticial. O acto que foi suspenso, deixado para depois, esquecido, tal qual o espaço que representa.
Esta sequência em particular (sequência I), procura explorar o desconhecimento do que se encontra para além da linha de parede, desta fronteira entre o visível e um imponderável interior; Para além da vista, para além da parede, para além do que poderíamos induzir. As fachadas/cenários, escondem uma estrutura onírica , ora difusa ora flagrante.

  • Artista: Rui Neto
  • Local: DINAMO10 - Rua do Trigo, 55
  • Inauguração: 19 Janeiro 2013 | 15h00
  • Até: 30 Novembro -1
  • Cidade / país: Viana do Castelo, Portugal
  • Categoria: Galeria D10
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